O processo de modernização da economia nordestina e norte-riograndense. em particular, ganha maior visibilidade a partir da década de 1960. O esforço do poder publico (Governos federal e estadual) em aproximar a região dos processos econômicos que estavam ocorrendo no Centro-Sul do País tem indicadores importantes como a criação da SUDENE, mas também através de políticas criadas no período de secas, como açudagem e perfuração de poços.
A chegada da energia da hidroelétrica de Paulo Afonso, a melhoria do transporte rodoviário, a expansão dos serviços de educação e saúde pública, dos serviços bancários, e o contraditório processo de industrialização patrocinado pelos incentivos administrados pela SUDENE, modernizam algumas cidades do Estado, trazendo o mesmo a um crescimento urbano, que já se verificava em todo o país.

O crescimento do número de pessoas empregadas nos órgãos de governo (federal, estadual e municipal) gera uma massa de salários que consequentemente circulam pela classe média, setor comercial e serviço de manutenção de automóveis e outros veículos, bem como o reparo de eletrodomésticos principalmente.

A participação do poder público na montagem de uma infra-estrutura urbana nas cidades como Natal, Mossoró, Caico. Açu. Currais Novos. João Câmara e outras cidades do Estado, que recebem a energia de Paulo Afonso, o abastecimento da água, os serviços de comunicação e as políticas de habitação do BNH, viabilizam a construção de casas populares, mas também de casas e apartamento (principalmente em Natal) para a classe média.

Por isso, quando a economia algodoeira começa a fechar suas fábricas e conseqüentemente 3 retirar de algumas cidades sertanejas a sua economia mais forte, a grande reivindicação é pela presença do Estado, criando instituições e fortalecem do outras, principalmente naqueles setores mais crescentes em todo o interior – os serviços de educação e saúde.
Esses serviços ampliam o emprego público, juntamente com as aposentadorias dos trabalhadores rurais e os recursos do Fundo de Participação dos Municípios, aparecem como um substituto aos empregos e capitais perdidos com a falência da economia algodoeira.

As aposentadorias nos municípios do interior do Estado movimentam as feiras semanais e o pequeno comércio e transferem os idosos (aposentados) e seus dependentes, que são numerosos, do campo para a sede do município, onde o benefício é pago.

No Rio Grande do Norte. especificamente a partir de 1970, as aposentadorias tomaram-se uma alternativa de sobrevivência importante para um contingente de 354.685 segurados (aposentados) pelo INSS. com repercussões importantes nas economias municipais. Desse total. 188.590 são de ex-trabalhadores rurais.

Fonte: Economia Rio Grande do Norte – Estudo Geo-Histórico e Econômico – José Lacerda Alves Felipe, Aristotelina Pereira Barreto Rocha, Edilson Alves de Carvalho – Editora Grafset