Segundo Câmara Cascudo, dois povos habitavam o nosso estado, quando os europeus chegaram a esse território. Os Tupi , representados pelas tribos dos Potiguar, que ocupavam parte do litoral da Paraíba e todo o litoral do Rio Grande do Norte, principalmente o litoral que vai de Baía Formosa até Touros. Na parte mais interiorizada da nossa costa, chegando ao agreste, viviam os Guaraíra, os Paiguá e os Jundiá.

No interior, predominavam os Tapuio, também chamados de Cariri, divididos em tribos como os Panati, Caicó, Peba, Tarairiú, que habitavam o Seridó. Da chapada do Apodi para a Serra de Patú, viviam os Janduí, Pataxó, Pajeú, Paiacu e Moxoró. Na região serrana, predominavam as tribos do Icó, Panati e Pacaju.

Esses índios resistiram à invasão do seu território, dos seus rios, florestas e de toda sua paisagem de caça, pesca e de sobrevivência ocupada pelos colonizadores de origem portuguesa. Essa luta é articulada pela confederação dos Cariri, que deve ter sido realizada em torno de 1670.

A reação à resistência indígena, que é chamada pelo colonizador de Guerra dos Bárbaros, é feita de forma cruel em todo sertão nordestino, que começava a ser ocupado com criatório do gado. Os Cariri são dizimados por tropas vindas da Bahia, de Pernambuco e até pelos Bandeirantes paulistas, como é o caso de Domingos Jorge Velho.

“Terminada a guerra dos bárbaros, a capitania estava arrasada e a população indígena reduzidíssima. Os que sobreviveram entraram paulatinamente num processo de miscigenação e de aculturação com a população branca de origem portuguesa, e com negros de origem africana…somente após o esmagamento dos índios no século XVII, pôde a colonização portuguesa consolidar-se no interior ao longo do século XVIII” (Souza, Itamar de. Diário do Rio Grande do norte – v. Natal. Junho de 1999.

Fonte: Economia Rio Grande do Norte – Estudo Geo-Histórico e Econômico – José Lacerda Alves Felipe, Aristotelina Pereira Barreto Rocha, Edilson Alves de Carvalho – Editora Grafset