No Rio Grande do Norte, como nos demais Estados do nordeste brasileiro, a agricultura e a pecuária vem historicamente participando da produção e organização do território, uma vez que o mesmo sofreu forte influência do trinômio gado, algodão e agricultura de subsistência nas áreas interioranas e da cultura canavieira na porção litorânea.

Apesar de ser considerada uma das principais atividades econômicas no contexto estadual, a agricultura praticada na maioria dos municípios norte-riograndenses encontra-se em estágio ainda rudimentar, face ao atraso tecnológico utilizado no processo produtivo. Some-se a esse fato o fenômeno cíclico das secas e a forte concentração da propriedade fundiária, que agravam ainda a vida do homem do campo.

Por outro lado, com o recente processo de modernização da agricultura, via investimentos de capitais, algumas áreas produtivas do Estado vem se destacando no cultivo de determinadas lavouras, como por exemplo, a banana, o abacaxi e melão, voltados, sobretudo, para O mercado externo. Essas áreas, denominadas de “ilhas de modernidade” destacaram-se das demais áreas de cultivo tradicional, devido aos investimentos tecnológicos às novas técnicas de cultivo, como é o caso do Vale do Açu e Chapada do Apodi. Em face disso, podemos dizer que a produção da agricultura norte-riograndense compõe-se, atualmente, de lavouras de alimentos tradicionais (porém em redução) e de culturas alimentares modernas, conformando-se numa produção desigual, por conseguinte, do território e da territorialidade agrícola do Estado.

A mandioca é uma das culturas alimentícias tradicionais no Rio Grande do Norte. Trata-se de uma produção destinada, em quase sua totalidade, à fabricação da farinha de mandioca, que é considerada por muitos habitantes da região Nordeste um produto indispensável à sua mesa.

No Rio Grande do Norte, o cultivo da mandioca é mais significativo nos municípios que compõem as Microrregiões de Serra de Santana, Baixa Verde, Litoral Nordeste, Macaíba. Agreste Potiguar e Litoral Sul. Os municípios de Nova Cruz , Touros  se destacaram como aqueles que apresentaram a maior quantidade produzida em.1999.

Outra atividade agrícola tradicional e importante para a economia do Estado é a produção da castanha de caju. A produção desse produto comercial ocorre em praticamente todo o território norte-riograndense, estando concentrada principalmente nos municípios de Macaíba, Touros, Areia Branca, Mossoró e Pureza, que tiveram uma produção entre 1.000 e 1.600 toneladas desse produto, destacando-se o município de Macaíba com uma produção, no mesmo período, de 2.240 toneladas.

Das agriculturas tradicionais, a cana-de-açúcar e a de maior importância para o Estado do Rio Grande do Norte. Isso ocorre não somente pela quantidade e valor da produção na economia  mas pela representatividade histórica norte-riograndense impressa na paisagem como rugosidade», em que casas grandes, chaminés e bueiros de velhos engenhos se constituíam na principal unidade de produção. Os municípios de maior produção de cana-de-açúcar são: Arês, Canguaretama, Baía Formosa, Goianinha e Ceará-Mirim, onde estão localizadas a maioria das usinas e destilarias do Rio Grande do Norte.

O abacaxi é outro produto que vem se destacando na agricultura do Estado. A sua produção encontra-se, atualmente, restrita à área litorânea e destina-se principalmente ao abastecimento dos mercados local e regional. Considerando-se a quantidade produzida no Estado, essa cultura tem se apresentado de forma bastante irregular (ver tabela de área colhida e produção), sendo significativo o seu crescimento, a partir da segunda metade da década de 1990.

O coco-da-baía apresentou no período de 1989 até 1995 um crescimento na quantidade produzida no Estado. No entanto, a partir desse último ano, percebemos o decréscimo na quantidade produzida, muito embora tenha sido mantido o tamanho da área colhida. Do ponto de vista da produção municipal, Touros (35.000.000 frutos/ano), São Miguel do Gostoso e Ceara-Mirim  se destacaram como os maiores produtores do Rio Grande do Norte.

A manga, fruto de origem asiática, é disseminada no Brasil pelos portugueses, com as primeiras mudas sendo plantadas na Bahia. Hoje, as mangueiras já fazem parte da paisagem nordestina.

No Rio Grande do Norte, a manga entra na pauta de exportação, principalmente a partir de 1990, quando são exportados 59.854 quilos desse fruto. Desde então, a produção e a exportação apresentam índices de crescimento significativos. A espécie cultivada é uma variedade conhecida como TOMMY ATKINS” e a Holanda se revela como maior comprador da manga produzida aqui no Estado.

A melancia, fruto comum em todo o território nacional, particularmente no Nordeste, entra na nossa pauta de exportação em 1993, quando o Estado exportou 267.600 quilos dessa fruta. Desde então, a sua presença 6 garantida entre os frutos tropicais exportados pelo Rio Grande do Norte. Em 1997, o valor da exportação dessa fruta representou uma quantia de US$78.633.

A melancia é uma fruta comum em todo o Brasil O Estado de São Paulo está entre os maiores produtores de melancia do país.

 Fonte: Economia Rio Grande do Norte – Estudo Geo-Histórico e Econômico – José Lacerda Alves Felipe, Aristotelina Pereira Barreto Rocha, Edilson Alves de Carvalho – Editora Grafset