A pedra trabalhada em mármore foi trazida de Portugal na expedição de 1501, sob o comando do capitão-mor André Gonçalves. Esse monumento tinha por finalidade marcar a posse da terra em nome do Rei de Portugal, segundo registros de Américo Vespúcio, cosmógrafo da expedição. Este monumento é o registro oficial da posse portuguesa, das terras que serviam o Brasil.

Devido sua posição geográfica, tudo indica que o Rio Grande do Norte tenha sido dos primeiros pontos visitados do litoral brasileiro pela primeira expedição enviada ao Brasil, em 1501, após a notificação oficial do seu descobrimento. A referida expedição, comandada por Gaspar de Lemos, chegou a 16 de agosto ao Cabo de São Roque e, antes de partir, provavelmente, chantou o marco, ainda existente e conhecido como “Marco de Touros”, na chamada Praia dos Marcos (MARIZ, SUASSUNA, p.29, 2002).

marco de touros

Marco de Touros. Monumento que oficializou a posse do território brasileiro pelos portugueses.

A pesquisadora Jeanne Nesi, em Natal Monumental (1994), relata a viagem dos historiadores Luís da Câmara Cascudo e Nestor dos Santos Lima, representantes do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, ao município de Touros. Nesta viagem ocorrida em 27 de agosto de 1928, os insignes historiadores conheceram e identificaram o Marco, comprovando desde então, o valor histórico deste monumento.

É um marco de domínio, típico. Sua colocação na enseada deserta denuncia nitidamente a intenção de assinalar, com um índice material a posse portuguesa. O marco da praia de Touros é um depoimento de quando o Brasil amanhecia… (CASCUDO, p.44, 2002).

Após o relato dos dois insignes historiadores, iniciou-se uma movimentação em prol da transferência do marco para Natal, pois como foi constatado na visita dos estudiosos, o monumento estava sofrendo desgastes das intempéries do tempo e da própria população.

Naquela praia distante, de difícil acesso, o povo, sugestionado pelas cruzes do marco, venerava-o como objeto de culto religioso. Beatos tiravam lascas da pedra e as pisavam, para uso em chás miraculosos… (ONOFRE Jr., p.73, 2002).

Oswaldo de Souza, representante local, da então, secretária do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, atual IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em visita ao marco de Touros, verificou a adoração da população ao “Santo Cruzeiro”.

O Marco de Touros, por seu valor histórico, foi declarado Patrimônio Histórico Nacional, em 23.08.1962. Atualmente encontra-se na Fortaleza dos Reis Magos. Aberto diariamente, das 8h às 16h, para visitas